Sunday, February 17, 2008

A ti que moras no meu coração

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Neruda

Le Bassin de John Wayne



Le Bassin de John Wayne
1997,João César Monteir

Saturday, February 16, 2008

Set my spirit free




My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
But my mind holds the key

My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
But my mind holds the key

I'm standing on the stage
Of fear and self-doubt it's a hollow place
But they'll clap anyways

My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
But my mind holds the key

Standing next to me
My mind holds the key
I'm living in an age
That calls darkness light
Though my language is dead
Still the shapes fill my head

I'm living in a age
Who's name I don't know
Though the fear keeps me moving
Still my heart beats so slow

My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
Though my mind holds the key
[My Body Is A Cage lyrics on http://www.metrolyrics.com]


Standing next to me
My mind holds the key
My body is a

My body is a cage
We take what were given
Just because you've forgotten
Doesn't mean your forgiven

I'm living in an age
Screams winding at night
And when I get to the doorway there's no one inside


I'm living in an age
They laugh and I'm dancin
With the one I love
But my mind holds the key

Standing next to me
My mind holds the key

Set my spirit free
Set my spirit free
Set my body free
Set my body free

Set my spirit free
Set my body free
Arcade Fire

Friday, February 15, 2008

Thursday, February 14, 2008

O Consumo é, e será sempre, o Pai da banalidade!


Tenho em casa um bravo cavaleiro da Távola Redonda com pouco mais de uma década vivida. Há poucos dias, quando arrumava o meu roupeiro - que de quinze em quinze dias parece que sofreu um atentado – o meu pequeno heróis deu de caras com dois lenços da Palestina – Sim, vou chamar-lhes assim! Primeiro porque quero, segundo porque entendo que este é o seu nome e terceiro porque adoro dizer a palavra Palestina! Soa a País!
Dizia eu, que o meu pequeno herói se deparou com os dois lenços e ficou ao rubro! Deu pulinhos de contente e pediu: Mãe, mãe por favor dá-me um!
Irresistíveis estes pequenos cavaleiros…
Sorri-lhe e respondi: - Claro, escolhe um! Nesta altura os olhos cor de mel brilharam e a mão segura invadiu o caos do meu guarda-roupa e assim como que por um golpe de magia pegou no lenço certo! Agarrei-o pelo braço e sentei-o na cama perto de mim…
- Sabes que lenço é esse?
- Sim, todos os meus amigos têm um!
- Sabes por que os usam?
- Sim, são fixes!
- Sim, é verdade são mesmo!
- Queres saber por que tenho dois?
- Sim, e por que estavam aqui guardados?
- Olha, este, que é branco e preto e mais escuro que aquele foi-me oferecido por um amigo que morreu na Palestina. Sabes onde fica a Palestina?
- Não! Não sei!
- Pois não…é que é como se não existisse, sabes? É um país que não é país e um estado que não é estado…mas depois com mais calma explico-te tudo e vamos ao Google.

– Escusado será dizer que o meu Bravo Guerreiro ficou em choque ao saber que as nações Unidas, AS MESMAS QUE DITARAM OS DIREITOS DAS CRIANÇAS – que ele tanto apregoa -, AINDA NÃO RESOLVERAM ESTE ASSUNTO E DEIXOU DE CONFIAR EM ABSOLUTO NESTA ORGANIZAÇÃO QUE TANTO ADMIRAVA – obrigada ONU por trazeres a desilusão para dentro do meu doce lar e para os olhos do meu doce filho!

Ora a Palestina é na verdade um pais sem pátria, entendes?...claro que não…
Mas era eu pouco mais velha do que tu e um grande amigo foi lá. Um amigo com quem me dava nas minhas lides politicas de que já te falei. De lá trouxe-me este lenço que vinha com um pin da OLP, uma bandeira da Palestina, uma fotografia do Arafat e histórias muito tristes.
Tive, até mudar para cá a bandeira no meu quarto pendurada e a fotografia dizia: Palestina, um sonho possível…acredito ainda nisso, imagina!
- Achas-me muito tonta?
- Não Mãe…não és nada tonta.
Este lenço usei mais de 10 anos ao pescoço, assim! – e dobrei o lenço dando-lhe voltas ficando apenas um pequeno triangulo de lado, coloquei-lho ao pescoço para lhe mostrar como se deve usar.
Ele foi ver-se vaidoso ao espelho e voltou para junto do meu relato.
- Por que deixaste de usar?
- Porque quando cá cheguei toda a gente usava e achei que estava num lugar onde muitos pensavam como eu e pouco tempo depois percebi que o usavam por moda e não por uma causa. Usavam porque ficava bem com as roupas mas muito mal com os cérebros!
O meu cavaleiro não conseguiu deixar de rir.
- Mas e agora já não os queres?
- Quero, claro! Eu sei o que eles representam e penso da mesma maneira que pensava quando os usava…só que não quero que me confundam com os que os usam sem saber o que estão a fazer?
- Então e por que me estás a dar este?
- Porque este é o que tem significado para mim! O outro comprei-o na Festa do Avante, são diferentes, estás a ver?
- Sim são, este é mais escuro…porquê?
- Não sei, deve ser porque veio de um lugar mais triste.
- Mãe, posso mesmo ficar com ele?
- Claro, filho, é teu de agora em diante. Esperemos que se tiveres que o dar a alguém possas contar uma nova história sobre ele!
- Sabes Mãe, não o vou usar!
- Mas porquê se todos os teus amigos usam?
- Tenho medo de o perder…e não podemos perder causas…


Sobre isto quero dizer que:
1 - Quando arrumo o armário da roupa do meu valente cavaleiro da Tavola Redonda, no canto esquerdo ao fundo está pousado e guardado o meu velho lenço da Palestina…tal e qual como a Palestina está pousada no armário das Nações Unidas!
2 - E que a França foi o único país que lhe deixou algum brilho nos olhos quando lhe disse que foi lá que Arafat morreu e que de lá saiu num caixão e com honras de chefe de estado!

Wednesday, February 13, 2008

Lembro-me de ser peixe...





Gaelle Denis,fish-never-sleep

Friday, February 1, 2008

Pois...

Ele vinte anos, e ela dezoito
e há cinco dias sem trocarem palavra
lembrando as zangas que um só beijo curava
e esta história começa no instante
em que o homem empurra a porta pesada
e entra no quarto onde a mulher está deitada
a dormir de um sono ligeiro

E no quarto, às cegas,
o escuro abraça-o como que a um companheiro
que se conhece pelo tocar e pelo cheiro
e é o ruído que o chão faz que lhe traz
o gosto ao quarto depois de uma ruptura
faz-lhe sentir que entre os dois algo ainda dura
dos dias em que um beijo bastava

E agora, da cama
vem uma voz que diz sussurrando: És tu?
e a luz acende-se sobre um braço nu
e a mulher pergunta: a que vens agora?
é que não sei se reparaste na hora
deixa dormir quem quer dormir, vai-te embora
amanhã tenho de ir trabalhar.

Não fales, que o bebé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais

E o homem, de pé
Parece um rapazinho a ver se compreende
e grita e diz que ele também não se vende
que quer a paz mas de outra maneira
e nem que essa noite fosse a derradeira
veio afirmar quer ela queira ou não queira
que os dois ainda têm muito a aprender

Se temos...! Diz ela
mas o problema não é só de aprender
é saber a partir daí que fazer
e o homem diz: que queres que responda?
Não estamos no mesmo comprimento de onda...
Tu a mandares-me esse sorriso à Gioconda
e eu com ar de filme americano

Somos tão novos, diz o homem
e agora é a vez de a mulher se impacientar
essa frase já começa a tresandar
é que não é só uma questão de idade
o amor não é o bilhete de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar e deixar mudar

Não fales, que o bebé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais

E assim se ouviu
pela noite fora os dois amantes falar
e o que não vi só tive de imaginar
é preciso explicar que sou o vizinho
e à noite vivo neste quarto sozinho
corpo cansado e cabeça em desalinho
e o prédio inteiro nos meus ouvidos

Veio a manhã e diziam
telefona ao teu patrão, diz que hoje não vais
que viveste uns dias assim tão brutais
e que precisas de convalescença
sei lá, inventa qualquer coisa, uma doença
mete um atestado ou pede licença
sem prazo nem vencimento, se preciso for

Vá fala que o bebé está acordado
e vizinho deve estar já acordado
e o amor, pronto, também está acordado
mas tem cuidado, trata-o bem
muito bem, de mansinho
que ainda agora vai pisar outro caminho.


Sergio Godinho

Monday, January 28, 2008

Estranha forma de vida...

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.


W. H. Auden

Tuesday, January 22, 2008

Monday, January 21, 2008

Sunday, January 20, 2008

Saturday, January 19, 2008

Thursday, January 17, 2008

Hoje...

Pode chegar o dia em que a coragem desaparece, em que o sentido de humanidade deixa de fazer sentido, mas não é hoje, hoje eu luto!

...

Tuesday, January 15, 2008

Depois de dar vida ...Como aceitar a morte dentro de mim?


Balada para Os Nossos filhos

Um filho é como um ramo despontado
do tronco já maduro que sou eu
um filho é como um pássaro deitado
no ninho da mulher que me escolheu
Um filho é ver-se um homem prolongado
no mundo da verdade em que nasceu
um filho é ver-se um homem atirado
das raízes da terra para o céu
Meu filho minha vida
és meu sangue e meu carinho
meu pássaro de carne
meu amor
meu filho que nasceste
do ventre do carinho
da minha companheira que deu flor

João é um botão de cravo rubro
Joana é uma rosa cor de Abril
dois filhos que eu embalo
e que descubro
que sendo só dois podem ser mil
Pois filhos do amor e da ternura
que sendo de todos não são de nenhum
e não há no mundo coisa mais pura
que a gente amar em todos cada um
Meu filho minha vida
és meu sangue e meu carinho
meu pássaro de carne
meu amor
meu filho que nasceste
do ventre do carinho
da minha companheira que deu flor

Ary dos Santos
Canta: Fernando Tordo

Sunday, January 13, 2008

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes
Facam estalar no ar chicotes,
Chamem palhacos e acrobatas.

Que o meu caixao va sobre um burro
Ajaezado a andaluza:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por forca ir de burro.

(Mario de Sa Carneiro)

Sunday, January 6, 2008

Creio nos Anjos...


Creio nos anjos...

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.

Natália Correia

A ti que moras no meu coração...

Wednesday, January 2, 2008

Wednesday, December 26, 2007